terça-feira, dezembro 07, 2010

145 - palavras no mar, tempestade na terra

Constância
Maio de 2008

SEBASTIÃO — Não vos embriagaríeis, por não terdes vinho para beber.
GONZALO — Não; na república faria tudo pelos seus contrários, pois não admitiria espécie alguma de comércio; de magistrados, nada, nem mesmo o nome; o estudo ficaria ignorado de todo; suprimiria, de vez, ricos e pobres e os serviços; contratos, sucessões, questões de terra, demarcações, cuidados da lavoura, plantação de vinhedos, nada, nada. Nenhum uso, também, de óleo e de vinho, trigo e metal. Ocupação, nenhuma. Todos os homens, ociosos, todos. E as mulheres, também; mas inocentes e puras. Faltaria, de igual modo, soberania...
SEBASTIÃO — Mas o rei era ele.
ANTÔNIO — Da república o fim esquece o início.
GONZALO — Todas as coisas em comum seriam, sem suor nem esforço, produzidas pela natura. Espadas, espingardas, facas, chuços, traições e felonias, eu não admitiria. A natureza produziria tudo por si mesma, só para alimentar meu povo ingênuo.
SEBASTIÃO — E casamentos, haveria entre eles?
ANTÔNIO — Não, meu caro senhor; vadios todos: vilãos e prostitutas.

A república, uma tempestade... nas palavras de WILLIAM SHAKESPEARE

terça-feira, junho 30, 2009

144 - saboreando gelados em constância

Constância
Junho de 2002

Eis o tipo de fotografia que, normalmente, não encontramos neste blog.
Pessoas, crianças.
A fotografia tem cerca de sete anos, as crianças eram forasteiras, mesmo assim hesitei antes de publicar esta imagem.
O ponto nem é a fotografia, é a forma inocente (ou não) que podemos fotografar crianças a geladar...

terça-feira, maio 12, 2009

143 - saciar a sede de futuro

Pernes
22 de Março de 2009

Meter o Chico (16.º parágrafo).
Em Pernes conseguiram meter dois Chicos na mesma placa, o Chico Moita Flores e o Chico José Viegas.
Dois Chicos (espertos?).
Um dia antes um Lucílio pouco desperto entregara uma taça a outro Flores.
As flores murcham e os chicos espertos medram.

domingo, março 15, 2009

142 - uma rotunda especial

Concelho de Abrantes
14 de Março de 2009

segunda-feira, março 02, 2009

141 - sem título

Freguesia de Santa Margarida da Coutada
Janeiro / Fevereiro de 2009
Começo pelo título.
Sem título.
Um título chamado: sem título é, na verdade, um título com título, pensem nisso na próxima vez que visitarem uma exposição da arte.
Esta é uma fotografia quase impossível de obter.
A que horas, em que dia, estará a lua cheia?
A que horas estará, precisamente, centrada.
Uma noite escura, gelada.
Um palerma (eu).
Uma máquina analógica.
O resultado revelado quase um mês depois...

domingo, dezembro 28, 2008

140 - quando o céu muda de lugar

Distrito de Lisboa
Dezembro de 2008
Como fotografar a casa dando uma ideia da varanda, do sótão e da publicidade em azulejaria integrada num magnífico conjunto azulejar...
Com uma máquina digital seria fácil, tirava dezenas de fotografias, fazia uma montagem computorizada e pronto.
Com a minha Olympus torna-se mais complicado.
É necessário encontrar o ângulo certo minimizando os escolhos que lhe estacionam na frente (deveria ser proibido estacionar em frente a património artístico).
Afinal...
Os automóveis estacionados, anarquicamente, foram solução e não problema.
O céu e a casa reflectidos no tejadilho do automóvel.

sábado, agosto 16, 2008

139 - azulejos de leão

Lisboa
15 de Agosto de 2008

segunda-feira, junho 23, 2008

138 - um gajo a quem chamaram carlos



Concelho de Cascais
Fevereiro de 2008
Um nome, os nomes têm importância, principalmente, quando Carlos quer dizer... morte.
A morte vive em nós desde que nascemos.
Toma duche connosco (podemos escorregar e partir os cornos).
(des)Faz a barba connosco (podemos ser acometidos de uma distracção e cortarmos a jugular).
Vai connosco de carro (podemos colidir ou colidirem em nós).
Almoça connosco (cogumelos manhosos).
A morte habita-nos.
Não temos preciso (expressão norte-alentejana) que nos matem, gajo que é gajo (gaja que é gaja, pronto) consegue auto-matar-se, uns com trabalho outros com prazer.
Carlos não pôde escolher, foi um republicano que o matou, num dia de infelicidade, nunca mais montou, nem sei se o farou, tal é a saudade.
Na primeira fotografia vemos Senhor Dom Carlos a olhar o mar, um cenário azul e branco, mar, nuvens, barcos e pessoas... tudo aquilo que amou, principalmente, o povo.
A rotunda D. Carlos I, não fica na vila de Cascais, aí as ruas têm nomes importantes: Avenida 25 de Abril, Rua Movimento das Forças Armadas, Rua da Boca do Inferno, Travessa do Guincho, na vila de Cascais poder-se-á infernizar, abrilar, guinchar ou movimentar mas rotundar D. Carlos, não.
D. Carlos queda-se encostado a uma parede branca (nos confins do concelho) acompanhado por um sulco semi-aberto (ou semi-fechado) chamado 69, electricidade, água e gás.
Por último vemos a dignidade em forma de memória que não morre, um homem que simboliza cada um de nós, um gajo que virou as costas à riqueza (os prédios de Cascais) com olhos abertos para o mar e para o sonho, com o peito aberto para as balas que o canciaram.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

137 - o rebanho conduzido

Santa Margarida da Coutada (est. nac. 118)
26 de Janeiro de 2008

Há ovelhas e ovelhas, oliveiras e oliveiras, cabras e cabritinhos.
Existem espaços que para uns são estradas por onde se conduzem, para outras (para as ovelhas) são caminhos por onde as obrigam a caminhar...

sábado, dezembro 22, 2007

135 - portugal

Lisboa
16 de Dezembro de 2007
Gosto de Portugal assim, com vergonha do nome oficial, com vergonha do vermelho e do verde oficial, gosto de Portugal vestido da cor do céu e da paz, azul e branco, Portugal, aberto como um teatro.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

136 - pangloss, schopenhauer e as saídas que escolhemos

Lisboa
Outubro de 2007
Uma que não foi intervencionada (como, agora, se diz) recentemente.
Saindo na direcção indicada, dirigimo-nos à liberdade e/ou à alegria, fica tudo para o mesmo lado.
Afinal ser feliz, alegre, positivista (como, agora, se diz) não é difícil.

domingo, setembro 30, 2007

135 - terra, água e verbo

Constância
anos oitenta (milénio passado)

Há muito, muito tempo, antes da coêlharização das esculturas em Constância e nos municípios comunistas das redondezas, existia na sede do concelho esta escultura.
Gosto-a, por aquilo que foi, por aquilo que representa.
Gosto de pensar em Punhete, num tempo em que os rios eram estradas como diria o meu colega António Matias Coelho.
Gosto de barcos e da sua diversidade.
Gosto de SANTA MARGARIDA.
Gosto de verde e negro.
Gosto de imagens estilizadas, de letras poupadas como se foram escritas em pergaminho.

segunda-feira, agosto 27, 2007

134 - bicicleta


Constância
início deste milénio
Coisas simples: rocha, terra, erva, um menino com um braço ao peito e uma bóia de salvação, um barco com a cruz do Templo, um rio...
A bicicleta, nesse tempo as bicicletas não eram bikes ...
As bicicletas eram fortes, úteis e tinham um selim de couro, confortável de montar sem calções de lycra almofadada.

quinta-feira, julho 12, 2007

133 - hífen (um hífen, apenas)

Concelho de Constância
10 de Junho de 2007

sexta-feira, junho 22, 2007

132 - a curva do tejo

Portela de Santa Margarida
Março de 2007

quinta-feira, junho 07, 2007

131 - a rede que nos prende e liberta

Constância
3 de Março de 2007

Sei a data por isto.
Serão os blogs guardadores de memórias?
Precisaremos que nos guardem ou que nos libertem?
Todos nós estamos presos, do lado de cá da rede, todos somos livres do lado de lá da web

sexta-feira, junho 01, 2007

130 - há sempre alguém que resiste


Santa Margarida da Coutada
Maio de 2007
Como uma metáfora...
Por maior que seja o rebanho, por maior que seja a inactividade e o espírito de carneirada (ovelhada?) há sempre uma ovelha tresmalhada, há sempre uma que em vez de amochar a cabeça para pastar, levanta-a.

terça-feira, abril 17, 2007

129 - brevemente...

... de volta.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

128 - cheia de graça

Constância
Novembro de 2006
Gosto de te ver assim, frágil e forte... nas tuas margens húmidas, à sombra dos teus salgueiros pesquei peixes e corpos.
A tua imagem reflectida segreda-me que há homens capazes de tudo, capazes de fazer o que falta fazer.

terça-feira, dezembro 12, 2006

127 - foi para isto que mataram o rei?

A1 (ao fundo a Serra d'Aire)
9 de Dezembro de 2006

Foi para isto?
Para embrulhar carga...


segunda-feira, dezembro 11, 2006

126 - quando a bola queima

Abrantes (parque urbano de São Lourenço)
10 de Dezembro de 2006
Uma bola queimada, um local que não conhecia... está giro.
Gostava muito mais como era no meu tempo, selvagem

segunda-feira, novembro 20, 2006

125 - a minha pessoa (tu)

Oeiras (parque dos poetas)
semana passada
Gato preto, gato morto... ainda? Bolas! Então a «tasca» não devia estar a comemorar um ano de existência on-line?Com um sol fantástico (nem todos são privilegiados) e tu a fazeres fotografias impossíveis de gatos mortos... antes o futebol e o fado do início. Parabéns "para ti"
Parabéns a você, diz a letra aportuguesada do Happy... qualquer coisa. Ainda bem que existem leitoras atentas, o aniversário, deste blog ter-me-ia passado, completamente, ao lado. Um ano.
A fotografia que emoldura este texto dei-a a um amigo (um grande amigo) partilho com os meus leitores aquilo que lhe escrevi (no verso da fotografia) :
Dediquei-te em tempos um extracto dum poema de Pessoa... Pessoa lembra-nos a pessoa que somos, também a pessoa que escolhemos ser. Somos este e outro. Carregamos em nós mais que uma pessoa. Julgo que é essa a herança de Pessoa e dos seus heterónimos. Para a pessoa que és, para a pessoa que poderás ser.

quarta-feira, novembro 15, 2006

124 - gato preto, gato morto

Constância
12 de Novembro de 2006

Uma fotografia, tecnicamente, «impossível» ... uma parvoíce. Quem conhece a ponte sabe que existe, apenas, um tabuleiro para o tráfego automóvel, que o sentido do trânsito é alternado ( da margem esquerda do Tejo para a direita e vice-versa) sabe que essa alternância é regulada por uns semáforos temporizados. Não é suposto parar-se a meio da ponte para tirar fotografias, será que foi tirada em andamento com a mão esquerda e sem olhar pela objectiva? ... se foi, foi uma sorte, uns milésimos de segundo e o espelho retrovisor taparia o «gatinho».
Este é o tipo de fotografia que me satisfaz, não o beijinho encenado de Doisneau.

O título foi inspirado em Kusturica, ainda pensei intitular este «post»: o gato do pedro.


sábado, novembro 04, 2006

123 - a sopa da perda

Distrito de Santarém
Outubro de 2006

Nacional 118, uma estrada percorrida com a dor de quem parte, pela margem esquerda, sempre.
Setas que nos desorientam, se for para Coruche ou Évora vire à esquerda e à direita. Pode parecer disparate mas se nos lembrarmos que a Terra é redonda faz sentido... poderá demorar mais tempo mas chegaremos lá, o prazer do caminho não tanto da chegada.
Ampliando a imagem sabemos que estamos em Almeirim, a terra da sopa (maldita sopa) da pedra, vemos um gajo que não é ribatejano, como é que sei? ora... pela camisolita cor-de-rosa!

quinta-feira, novembro 02, 2006

122 - janelas

Constância
Outubro de 2006
As terras não deverão ser olhadas através das janelas dos automóveis.
Devemos estacionar e em vez de olharmos a terra, tentarmos compreender as pessoas, os seus anseios e sonhos.
Esta imagem enquadrada ou melhor «enjanelada» visa apenas proteger os nossos olhos da «Manta Rota».
Constância, assim, nasce da água e do verde (como a Vénus de Botticelli) linda, fêmea... vila à procura de si própria, à espera para ser fecundada de vida, de cultura.

terça-feira, outubro 10, 2006

121 - retomar, recentrar


Lisboa (Gare do Oriente)
Setembro de 2006

[Anonymous said...

É mentira, houve dias seguidos que nenhuma fotografia foi aqui colocada. Outros dias eram colocadas várias com datas atrasadas que não correspondiam ao dia em que estavam a ser colocadas.Deixe de mentir aos seus leitores que eles não são "burros" e deixe de fazer-se passar pelo "santo" que não é.Acima de tudo, as pessoas devem ser verdadeiras no que são e no que tentam mostrar aos outros.

Segunda-feira, Setembro 11, 2006 11:42:14 AM

António Almeida said...
um mês!
Segunda-feira, Outubro 02, 2006 12:22:33 AM

Não vou dizer que não me custou. Não vou dizer que dei demasiada importância a duas mãos que se escondem atrás dum «écran» e quando terminam nem sequer sabem quem são nem como os outros lhes chamam ... direi apenas: obrigado, António.

Duas palavras e um ponto de exclamação, António ... como um abanão, como um grito... então!

Farei a vontade aos dois, à anonimamente manifestada (vá lá, assuma-se, saia do armário, pode desabafar por e-mail [pedrolliveira@gmail.com]) à, voluntariamente, assumida ... António o lomo continuará]

Às vezes, muitas vezes somos forçados a olhar à volta, à nossa volta.
Aconteceu-me no dia em que subtraí à realidade estes dois instantes, no primeiro (debruado a sexta-feira de paixão) admirava a obra de Calatrava (um dos meus arquitectos preferidos) olhava-o através da objectiva, tentando conseguir um enquadramento de céu, sombra, branco, metal, vidro, ângulos com sentido.
Pés fixos, feliz, achei que a fotografia estaria boa (acho que ficou óptima) olhei para o meu lado direito, um homem deitado, um corpo estendido, uma mão no chão ... à frente prédios caros e sorridentes, ali um homem cansado, um banco ... um pseudo-fotógrafo esquecido de Calatrava, focado num homem sem nome, um homem que olhei com olhos esmeralda, com esperança debruada a verde.
Os pés continuavam fixos, a mesma posição, realidades diferentes, basta olharmos para o sítio certo.

quinta-feira, agosto 31, 2006

120 - atrasado

Lisboa (Cais do Sodré)
Junho de 2006

Esta fotografia (obtida aqui) fecha um ciclo de fotografias colocadas, ininterruptamente, todos os dias do mês de Agosto.
Alguns «posts» não estão completos, falta a contextualização.
Serão concluídos, outros há que foram, entretanto, ganhando palavras.

quarta-feira, agosto 30, 2006

119 - o ovo bloqueado do colombo



Lisboa (próximo dum campo de futebol cujo nome não deve ser pronunciado)
Abril de 2005

É este o local do crime.
Quando há jogo no terreno baldio referido as estradas circundantes ficam entupidas com triciclos de crianças que [não] cresceram.
Crianças, princesas, reis dos pneus
Neste dia (quando a fotografia foi tirada) não havia jogo logo bloqueavam-se automóveis.

terça-feira, agosto 29, 2006

118 - antena erecta

segunda-feira, agosto 28, 2006

117 - incomodar com instâncias ou súplicas repetidas o camões

domingo, agosto 27, 2006

116 - cuecas e república

Pontinha (concelho de Odivelas)
Agosto de 2006
Uma imagem fala (mais que mil palavras).
Esta diz-nos o quê?
- Que foi tirada em Agosto (é a legenda que o diz)
- Que a república está invertida e pendurada na corda da roupa
- Que as cuecas estão lavadinhas e na posição correcta
- Que o «mercado provisório» da Pontinha continua provisoriamente no mesmo sítio
- Que a palavra «coelho» poder-nos-á remeter para os coelhinhos simpáticos das histórinhas para crianças devidamente contextualizadas... no meu caso remete-me para um magnífico coelho à caçador com arroz de oregãos, vinho tinto, pão quente e queijo fresco
desde 2006.05.24
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